terça-feira, 8 de março de 2016

Feliz Dia da Mulher!

Você que é mãe, filha, esposa, companheira...
Mas o homem também é pai, filho, esposo, companheiro...
Então por que não temos o dia do homem?
Por que o dia 8 de março não foi definido para comemorar a feminilidade, sensibilidade, maternidade ou qualquer outra coisa que o comércio queira te empurrar. Esse dia é para lembrar que as mulheres ainda não têm os mesmos direitos que os homens. Quando o homem tiver que lutar pelos seus direitos, a gente discute um dia do homem.
No relatório da ONU de 2010 (infelizmente não achei nenhum mais recente) [http://www.observatoriodegenero.gov.br/menu/noticias/arquivos/ww-full-report-color.pdf] tem os seguintes pontos:
Educação
• Dois terços dos 774 milhões de adultos analfabetos no mundo são mulheres - a mesma proporção dos últimos 20 anos e na maioria das regiões.
• A taxa global de alfabetização de jovens aumentou para 89 por cento, enquanto o hiato de gênero diminuiu em 5 pontos percentuais.
• A diferença entre meninas e meninos na escolarização primária diminui na maioria dos países, mas a paridade de gênero ainda é uma meta distante para alguns.
• 72 milhões de crianças em idade escolar não frequentam a escola, dos quais mais de 39 milhões (ou 54 por cento) são meninas.
• Enquanto as matrículas do ensino secundário mostram melhora, poucos países estão perto de paridade de gênero para o ensino primário.
• Em matrícula no ensino superior, o domínio dos homens foi invertido a nível mundial e as disparidades de gênero favorecem as mulheres, exceto na África subsaariana e do Sul e Ásia Ocidental.
• As mulheres no ensino superior são significativamente sub-representadas nos campos da ciência e da engenharia; no entanto, eles continuam a predominar na educação, saúde e bem estar, ciências sociais, e humanidades e artes.
• Em todo o mundo, as mulheres representam pouco mais de um quarto de todos os pesquisadores científicos - um aumento em comparação com décadas anteriores, mas ainda muito longe de paridade.
• O uso e acesso à internet cresceram exponencialmente na última década, estreitando a diferença digital - no entanto, as mulheres ainda não têm o mesmo nível de acesso que os homens na maioria países, sejam mais ou menos desenvolvido.
Trabalho
• Globalmente, a participação das mulheres no mercado de trabalho manteve-se estável nas duas décadas 1990-2010, enquanto que para os homens diminuiu de forma constante durante o mesmo período; a lacuna de gênero na participação na força de trabalho permanece considerável em todas as idades, exceto nos primeiro anos da idade adulta.
• As mulheres são predominantemente e cada vez mais empregadas no setor de serviços.
• O emprego vulnerável - o trabalho por conta própria e trabalho familiar - é prevalente em muitos países da África e da Ásia, especialmente entre as mulheres.
• O setor informal é uma fonte importante de emprego para as mulheres e os homens nas regiões menos desenvolvidas, mas mais para as mulheres.
• Segregação ocupacional e diferenças salariais de gênero continuam a persistir em todas as regiões.
• Emprego em tempo parcial é comum para as mulheres na maioria das regiões mais desenvolvidas e algumas regiões menos desenvolvidas, e isso está aumentando em quase toda parte, tanto para mulheres e homens.
• As mulheres gastam, pelo menos, o dobro do tempo que os homens no trabalho doméstico, e quando todo o trabalho - remunerado e não remunerado - é considerado, as mulheres trabalham mais horas do que os homens.
• Metade dos países em todo o mundo atende o novo padrão internacional para duração mínima da licença de maternidade - e dois em cada cinco atendem ao padrão mínimo de prestações pecuniárias - mas existe uma lacuna entre a lei e a prática, e muitos grupos de mulheres não são cobertos pela legislação.
Poder e tomada de decisões
• Tornar-se o Chefe de Estado ou Chefe de Governo permanece distante para mulheres, com apenas 14 mulheres no mundo atualmente ocupando uma ou outra posição.
• Em apenas 23 países que as mulheres compreendem uma massa crítica - mais de 30 por cento - no inferior ou única casa de seu Parlamento nacional.
• Em todo o mundo em média apenas um em cada seis ministros de gabinete é uma mulher.
• As mulheres são altamente sub-representadas em posições de tomada de decisão no nível do governo local.
• No setor privado, as mulheres continuam a ser severamente sub-representados nas posições de tomada de decisões.
• Apenas 13 das 500 maiores empresas do mundo têm uma mulher CEO (Chief Executive Officer).
Violência contra mulher
• A violência contra as mulheres é um fenômeno universal.
• As mulheres são submetidas a diferentes formas de violência - física, sexual, psicológica e econômica - tanto dentro como fora de suas casas.
• Taxas de mulheres vítimas de violência física pelo menos uma vez na vida podem variar de várias por cento para mais de 59 por cento, dependendo de onde eles vivem.
• Medições estatísticas atuais de violência contra as mulheres fornecem uma fonte limitada de informações, e definições e classificações estatísticas exigem mais trabalho e harmonização em nível internacional.
• A mutilação genital feminina - a mais perpetuada e prejudicial da violência contra as mulheres - mostra uma ligeira diminuição.
• Em muitas regiões do mundo, os costumes de longa data colocam uma pressão considerável sobre as mulheres para aceitar o abuso.
Pobreza
• As famílias de mães solteiras com filhos pequenos são mais susceptíveis de serem pobres do que os pais solteiros com filhos pequenos.
• As mulheres são mais susceptíveis de serem pobres do que os homens quando vivem sozinhas em muitos países desenvolvidos e em regiões menos desenvolvidas.
• As mulheres estão super-representadas entre os pobres mais velhos nas regiões mais desenvolvidas.
• Leis estatutárias e habituais existentes limitam o acesso das mulheres à terra e outros tipos de propriedade na maioria dos países da África e cerca de metade dos países da Ásia.
• Menos mulheres do que os homens têm rendimentos nas regiões menos desenvolvidas, e uma significativa proporção de mulheres casadas não têm voz na forma como os seus proventos são gastos.
• As mulheres casadas das regiões menos desenvolvidas não participam plenamente na decisão sobre os gastos da casa, especialmente em países africanos e em famílias mais pobres.

Com isso tudo apresentado, eu peço desculpas por ter que existir um dia internacional da mulher, eu gostaria muito que a única diferença entre homem ou mulher fosse biológica.

Como sou um homem criado em um ambiente hétero-normativo com privilégios para o sexo masculino, talvez sem perceber eu possa ter tratado em algum momento as mulheres a minha volta sem a dignidade e respeito mínimo necessário. Por isso também peço desculpas.

Também peço que se algo neste texto esteja de algum modo errado, por favor, me ensinem o certo.


O relatório da ONU está em inglês, talvez algumas das frases não tenham sido traduzidas adequadamente.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Com que roupa...

Sim, eu sei que eu não venho aqui com a frequência que deveria...

Hoje eu tive uma discussão com a minha esposa.

O assunto foi se a roupa utilizada pelas pessoas define a moral da mesma.

Ela acredita que se a sociedade diz que tal roupa está associada a um comportamento imoral, então as pessoas que utilizam daquela roupa concordam com essa associação e assumem que tem essa imoralidade. Ao que me parece, por todo o tempo de convívio que possuímos, a minha esposa se refere, única e exclusivamente, a mulheres que usam roupas provocantes e que se insinuam para qualquer homem, solteiro ou compromissado. Essa insinuação pode ser para se envolver fisicamente, estragar o relacionamento e ou obter favores ou benefícios.

Da minha parte eu acredito que a roupa não determina o caráter de nenhuma pessoa, homem ou mulher. Não acredito que roupas decotadas impliquem em "piriguetes" ou roupas de "mano" impliquem em criminosos. Como também não acredito  que roupas recatadas impliquem em moral inabalável, ou ternos e gravatas determinem boa índole e comportamento exemplar.

Particularmente no caso da mulheres, o que me preocupa é que o julgamento da moral pela roupa e não somente pelo comportamento é uma das justificativas para comportamentos humilhantes em locais públicos (gostosa!), preconceitos (é uma biscate mesmo) ou, o pior de todos, o estupro.

O vídeo "It´s your fault" (https://www.youtube.com/watch?v=PdPefSCx-uc) apresenta um pouco dessa justificativa sobre roupas, mas, rapidamente, mostra que a roupa não é o determinante para o estupro.

A "Marcha das Vadias" teve seu início após o policial canadense Michael Sanguinetti, que foi dar uma palestra sobre defesa pessoal na Universidade de Toronto que estava com um aumento de casos de estupro, afirmar "I´ve been told I´m not supposed to say this - however, women should avoid dressing like sluts in order not to be victimised" (Eu fui avisado que era melhor não dizer isso - talvez, mulheres deveriam evitar se vestir como putas para evitar se tornarem vítimas - tradução livre). Aproveitando, o polícial pediu desculpas pelo seu comentário (http://www.digitaljournal.com/article/303821).

Acredito que um dos problemas que a sociedade tem é a visão sobre o sexo e a função do homem e da mulher nesta atividade. O sexo é imoral e os homens pode exercer e exibir sua sexualidade enquanto as mulheres devem atender os desejos dos homens preferencialmente de maneira submissa. Claro que isso já não é tão extremista, mas ainda é a base do pensamento da sociedade sobre o assunto. Por isso que mulheres que usam roupas mais sensuais são vistas como lascívias e imorais, enquanto aos homens é permitido andar sem camisa e com bermudas justas sem serem considerados indecentes, no máximo inadequados ao ambiente ou evento.

Como já disse, se o problema fosse somente olhar uma mulher com roupas sensuais e considerá-la imoral, isso já seria ruim, mas não tanto como o estupro, afinal, alguns homens perturbados (e, na minha opinião, sem capacidade de conviver em sociedade) defendem que as mulheres que usam roupas sensuais querem ser estupradas.

Isso tem que acabar! Devemos ensinar aos nossos filhos e filhas, amigos e cônjuges que a roupa não implica moral e que o seu desejo sexual não pode ser exercido a força em outra pessoa e que sexo é uma atividade natural e que não existe diferenças de valores entre homens e mulheres nessa atividade. Não é errado ter e querer prazer para ninguém. Quem sabe se começarmos essa mudança agora, nossos  netos ou bisnetos tenham uma vida sexual mais saudável.

Outro ponto que surgiu, ainda que só de passagem, foi a prostituição. Eu acredito que a prostituição é um serviço como qualquer outro, afinal cada trabalhador se aluga de alguma maneira, alguns o intelecto e outros o físico. O que eu não concordo com a prostituição é quando ela é forçada, quando a pessoa não tem uma alternativa por falta de oportunidades. Além disso, como a prostituição também está ligada com a visão da sociedade sobre o sexo, o serviço acaba ligado a riscos além dos profissionais, o que acaba tornando a vida dessas profissionais bem difícil. Eu preferiria que a prostituição fosse exercida por pessoas que tem vocação, tal como Lola Benvenutti (http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2013/04/faco-porque-gosto-revela-garota-de-programa-recem-graduada-em-letras.html).

Esta é a minha opinião